Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

Empreita

A empreita de palma é uma atividade tradicional portuguesa secular. Felizmente, esta arte ainda está viva no Algarve. Encontrei em Loulé a «Casa da Empreita», uma projeto patrocinado pelo programa Loulé Criativo, que pretende não deixar morrer as tradições antigas, ensinando-as aos jovens.

IMG_8346.JPG

 

Desde que me lembro como gente, que conheço o artesanato da empreita em palma. A casa da minha avó materna, no Monte Ruivo, freguesia de Alte, concelho de Loulé, era um verdadeiro «centro de artesanato». Ali criava-se, produzia-se e vendia-se das mais variadas formas de artes tradicionais algarvias. Principalmente, artigos de palma, verga (vime), esparto e sisal. A empreita de palma surgiu com a necessidade de embalar figos, amêndoas e alfarrobas para o seu transporte. Passou, depois, a ser utilizada noutros objectos quotidianos, na pesca, e com propósitos decorativos. A esteira popularizou-se devido à lacuna de mobiliário nas habitações mais humildes. Originalmente, a matéria prima provinha do interior algarvio, embora atualmente, devido à escassez da planta nesta região, as folhas de palma começaram a ser importadas do sul de Espanha, onde a produção de palma foi transformada em indústria. Hoje em dia, a empreita é efetuada quase totalmente com propósitos decorativos, sendo uma das atracções turísticas na região. Verifica-se, igualmente, uma maior diversidade de materiais utilizados na empreita, como os plásticos e outros materiais reciclados. A empreita de palma, cujo nome provém do facto de ser feita à empreitada, isto é, o preço do produto final depende da quantidade e tipo da matéria prima utilizada, é produzida a partir das folhas de palma. Estas, antes de serem utilizadas na empreita, devem ser colhidas, secadas e separadas de acordo com a sua espessura. As folhas de melhor qualidade são, então, submetidas a um banho de enxofre, para clarear, e, se necessário, tingidas. Vi muitas vezes no chão de casa da minha avó Maria, várias mulheres a trabalhar, inclusive a minha mãe e tias. Muitos serões fizeram, entre histórias e cantorias, para criar tapetes, alcofas, cestos, entre outros artigos. Quem já viu fazer empreita sabe que é uma espécie de entrançamento, onde se vão colocando as folhas de palma até formar o objeto pretendido. Cortam-se as pontas geradas, engoma-se a peça, e finalmente, cose-se com fio de palma molhada. A «Casa da Empreita», situada na zona histórica de Loulé, mais propriamente na Rua Vice-Almirante Cândido dos Reis, convida-nos a um regresso ao passado, mas com olhos no futuro. Um projeto inserido no programa de sustentabilidade levado a cabo pelo Loulé Criativo (https://www.facebook.com/loulecriativo/). Como estava inserida no Festival Med (https://www.facebook.com/festivalmedloule/), não consegui resistir a entrar e comprar uma mala com cheiro a «Algarve».