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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

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Dia da Espiga

Hoje é Dia da Espiga na minha terra, Loulé. É feriado municipal e dia de festa!  O Dia da Espiga celebra-se sempre no mês de maio, mas varia de dia. É sempre na quinta-feira da Ascensão, encerrando um ciclo de quarenta dias depois da Páscoa. Este ano, calhou dia 21 de maio. Em tempos de pandemia, as celebrações vão ser diferentes, mas o espírito é o mesmo.

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Mas, não é só em Loulé que se comemora este dia. Há várias localidades no país que celebram o Dia da Espiga. É tradição na quinta-feira da espiga começar o dia com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo.Os ramos colhidos simbolizam a fecundidade da terra e alegria de viver. Algumas espigas, geralmente de trigo, simbolizam a abundância, as papoilas, rosas, maragridas e malmequeres a beleza e o ramo de oliveira a paz. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.

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O Dia da Espiga era também considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoada queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

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Em Loulé, começava o dia com a típica alvorada e nesse dia era tradição irmos em família a Salir, uma freguesia do concelho, onde fazem um desfile etnográfico. A Festa da Espiga em Salir teve início no dia 23 de maio de 1968 e é um dos principais cartazes turísticos e etnográficos da região algarvia. De certa forma, este dia, marca o início da época das colheitas, levando ao público as manifestações tradicionais caraterísticas desta freguesia rural. Os intervenientes neste espetáculo preparam com antecedência os seus carros e durante o desfile vão oferecendo alguns dos produtos que transportam.

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O cortejo acontece ao longo da principal rua da vila e representa toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, em destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação do pão, apanha do medronho e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto e cestaria de verga. Para além disso, ainda há a exibição de poetas populares declamando poemas feitos de improviso e uma vasta exposição de maquinaria agrícola das diversas marcas existentes no mercado. O dia termina com a atuação dos ranchos folclóricos, banda filarmónica e fogo-de-artifício.

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Estando longe da minha terra, não deixo de me lembrar desta data e também fui apanhar a minha espiga dourada. No próprio quintal da minha casa, a zona verde do condomínio, consegui juntar um ramo de espigas e flores campestres. Sendo assim, um bom dia da espiga para todos!

Bibliografia e fotos da Festa da Espiga em http://www.salir.pt/pt/freguesia/galeria-de-fotografias/festa-da-espiga/.

 

O lado positivo da Quarentena

Aos 65 dias de quarentena, faço agora um pequeno balanço destes últimos tempos em casa. Para ser sincera, quando soube que tinha que ficar em isolamento em casa, com uma série de regras, fiquei um pouco preocupada, porque eu não sou uma pessoa caseira.

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Quem me conhece bem sabe que, não sou daquelas pessoas que gosta de ficar em casa, no sofá a aproveitar o “dolce fare niente”.
Sou aquela pessoa que adora passear, estar com pessoas, conviver, respirar a natureza, pisar a areia, dar voltinhas só para ver a paisagem e aquilo que de melhor a natureza tem para nos dar.
Não é porque me faça falta ir ao supermercado, aos restaurantes ou ao shoping. Mas, com o passar dos dias, descobri que afinal adoro estar na minha casa e que esta quarentena me trouxe uma série de coisas boas!
Descobri o prazer de passar muito mais tempo com os meus filhos e o meu marido.
Descobri receitas novas e novos sabores.
Descobri a maravilha de plantar, semear e encher a casa dos cheiros das flores.
Descobri que há coisas que nos oferecem que podem não ter um grande valor monetário, mas que são muito valiosas.
Descobri que a sensação do sol a bater na cara é das melhores coisas desta vida.
Descobri que das coisas que mais tenho saudades são dos abraços.
Descobri que sou mais multifacetada do que pensava. Sou mãe, mulher, professora, dona de casa, profissional, psicóloga, cozinheira.
Conheci melhor os meus vizinhos.
Aproveitei para organizar o meu guarda-roupa por cores.
Aproveitei para encher as gavetas com lavanda.
Aproveitei para fazer pavlovas e brigadeiros.
Aproveitei para aprender a fazer novas receitas vegetarianas e dar cada vez mais valor aos frutos da terra.
Aproveitei para ler livros e histórias deitada na relva e à sombra de uma árvore.
Aproveitei para fazer arranjos de flores campestres e espanta espíritos de conchas.

Aproveitei para reciclar mais e reutilizar materiais.
Aproveitei para falar muito mais com a minha família e amigos que estão longe e dizer aquilo que sinto por ele!