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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

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Romeiros de S.Miguel

 

Quem visita S. Miguel por esta altura pode deparar-se com uma tradição a que não está habituado. No Continente o mais parecido são as romarias a Fátima. Aqui, os romeiros dão a volta à ilha durante uma semana a pé, ao sol, à chuva, ao vento e ao frio, sempre acompanhados de uma fé inabalável.

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Esta tradição teve a sua origem nos terramotos e erupções vulcânicas do século XVI e designava-se por «Visita às Casinhas de Nossa Senhora». Constitui um fenómeno etnográfico de grande interesse, não só pela originalidade de certos elementos que lhe são inerentes, mas também pela persistência dessa manifestação ao longo dos séculos.

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Os Romeiros de São Miguel como grupos ou ranchos de penitentes que, durante uma das semanas da Quaresma, percorrem a pé a ilha de São Miguel e visitam todas as igrejas e ermidas onde haja exposta a imagem da Virgem Maria (cerca de 100).

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Os ranchos de Romeiros constituem-se por freguesia e possuem uma dimensão variável, podendo ir de cerca 30 até aos 200 romeiros. Cada Romeiro apresenta-se vestido com o traje que usa diariamente, mas este traje é recoberto por acessórios que nada têm a ver com o modo de vestir do quotidiano micaelense: um xaile pelos ombros, um lenço ao pescoço, uma cevadeira às costas, um terço e um bordão na mão.

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O rancho, quando em marcha, adopta uma formação convencional constituida por três alas de romeiros. As alas dos lados são compostas pelos romeiros, estando à frente de cada ala os Guias. A ala do meio integra o Mestre, o Contra-Mestre, o Lembrador das Almas, o Procurador das Almas e o Cruzado.

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No dia 22 de Outubro de 1522, o terramoto de Vila Franca do Campo causou o soterramento da maior parte da vila, então capital de São Miguel, e provocou a morte a alguns milhares de pessoas. Este acontecimento trágico deu origem a procissões realizadas todas as quartas-feiras, à noite ou de madrugada, na ermida de Nossa Senhora do Rosário construída em memória da catástrofe. Alguns anos mais tarde, essas procissões foram realizadas anualmente, durante o dia e ao redor da ilha.

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Alguma desta informação foi recolhida do blog «Velharias com História» (http://philangra.blogspot.pt/2013/03/romeiros-de-sao-miguel.html)

 

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Os romeiros, organizados por localidades, devem fazer o percurso sempre com o mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas existentes na ilha.


Vão rezando pelas suas vidas, de alguém muito próximo ou das pessoas que encontram nas ruas.
Dormindo e comendo em casas de pessoas que os acolhem em diferentes localidades, vagueando pelas estradas, entoando cânticos de louvor ou simplesmente rezando o terço pelas pessoas que encontram no caminho.

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O que a Romaria retrata são momentos de intimidade e fraternidade. Vive-se intensamente a oração, meditando e rezando em comunhão. Quem participa diz ser uma "experiência extraordinária", "uma introspecção à nossa vida".

A caminhada começa no fim-de-semana que se segue à Quarta-Feira de Cinzas e os últimos terminam na Quinta-Feira Santa.
 
A Câmara Municipal de Lagoa teve já patente, na Casa da Cultura Carlos César, uma exposição acerca dos bordões e cevadeiras dos romeiros (http://lagoa-acores.pt/site/frontoffice/default.aspx?module=article/article&ismenu=1&id=1388).

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Assim sendo, se visitar a ilha por esta altura, conduza com atenção pois poderá encontrar ranchos de romeiros a caminhas na berma das estradas!