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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

O Melhor de Mim

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Desde sempre que quis ser mãe e quando conheci o C. tive ainda mais certeza que a vida não teria sentido sem filhos. E, para mim, filhos não significam apenas aqueles do nosso sangue, os que saem da nossa barriga. Sempre tive no pensamento que, se um dia não conseguisse engravidar, não pensaria duas vezes em adotar uma criança. Não teria quaisquer problemas com isso, porque o que vale é o amor de pai e mãe, é aquele amor incondicional que nos faz sentir que podemos enfrentar o mundo. Com todos os obstáculos que o desafio da maternidade nos pode trazer, ter filhos é das melhores experiências que podemos passar na vida.

 

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A Alice foi planeada logo a seguir ao nosso casamento, mas chegou mais depressa do que imaginei. No primeiro mês que tentámos, o tiro foi certeiro -------->  Vivíamos em Chaves, na altura, e ficámos os dois muito felizes com a notícia. Cautelosos, contámos primeiro à família e amigos mais chegados, mas não demorou muito tempo para o C. marcar um golo e não se aguentar festejando com a bola na barriga e fazendo todo o Municipal de Chaves olhar para mim. A minha cara deve ter ficado «azul-grená» nesse momento com vergonha.

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A gravidez correu super bem. Costumo dizer que ficava mais uns meses grávida se fosse preciso. Apesar da ansiedade para conhecer a Alice, adorei esta fase da minha vida e sentia-me especial. É incrível o dom que temos mulheres de gerar uma vida e a sensação dos movimentos dos nossos bebés dentro de nós é fantástica (tenho imensas saudades disso!).

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Contudo, cedo o meu obstetra em Chaves detetou que a A. estava com um índice de peso muito baixo e esteve assim durante toda a gravidez. Até que a minha médica de sempre no Algarve (onde decidi que iria ser o nascimento), decidiu que às 38 semanas era hora de induzir o parto porque pior do que não estar a ganhar peso, a Alice estava era a perdê-lo e tinha que vir cá para fora alimentar-se o mais rápido possível já que a minha placenta não estava a alimentá-la. Só que o processo não foi tão simples como parece e quando um bebé acha que não é a sua hora de nascer, tudo se torna mais complicado. Os comprimidos que deviam ter funcionado para provocar as «malditas», ou benditas, contrações para o parto não funcionaram. e, depois de dois dias de indução e com o bebé já em sofrimento lá a equipa médica, que estava de serviço no Hospital de Faro, decidiu fazer uma cesariana de emergência. Isto entre várias discussões a que eu assisti na sala ao lado, e ouvi como se não estivesse ali. Pelo que me apercebi, foi a médica mais nova da equipa (que hoje em dia é uma grande obstetra e de quem sou fâ), que fez força para que partissem para uma cesariana e salvou a minha filha!

 

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A primeira coisa que fiz quando me consegui  levantar, após o repouso obrigatório de 24 horas que temos que ter depois de uma cesariana com anestesia geral, foi agradecer à doutora por tudo o que fez. Só depois de acordar da anestesia é que me apercebi o susto que foi, porque a A. nasceu com dificuldades, com índice de Apgar 1, e teve que ser reanimada e entubada. Quem mais sofreu com tudo isto foi a minha mãe e sogra, na sala de espera sem notícias do médico, e o C. que fazia uma viagem alucinante de carro de Penafiel até Faro, sem saber o que realmente tinha acontecido. Felizmente tudo correu bem, e hoje a Alice é uma menina linda, feliz e cheia de personalidade!

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O Tomás também foi um bebé muito desejado. Demorou um pouco mais a vir mas chegou na altura certa, numa linda noite de Verão. Desta vez, a partilha da notícia da gravidez foi preparada como uma surpresa para o papá C. e a mana mais velha. Estávamos na nossa segunda passagem por Chaves (depois de Oliveira de Azeméis e Arouca). O C. costuma dizer que só gostamos de fazer filhos em terras flavieneses e por isso tínhamos que voltar ;)

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 Depois de mais um domingo de jogo, como era habitual juntávamo-nos em casa de uns amigos. Era Dezembro, e a lareira acesa era fundamental numa terra de muito frio. Quando contei às minhas amigas, esposas também elas de jogadores, ficaram histéricas. Preparámos um saquinho com umas botinhas de bebé e o respectivo teste de gravidez. Mas a dona da casa fazia precisamente nesse dia anos de casada e começou por fazer uma declaração de amor ao marido em frente de todos e oferecer-lhe uma flor. Tinha o saco preparado por nós na outra mão e no final do seu discurso, disse "infelizmente este presente não é para ti marido, é para o Clemente!", que ficou surpreendido quando abriu e viu que era um teste de gravidez. Todos aplaudiram, menos a Alice que reagiu chorando e dizendo "eu não quero um bebé..."

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Mas foi só o choque inicial de uma criança de 4 anos. Depois de lhe explicar o quão maravilhoso era ter irmãos (eu tenho duas e adoro as minhas!), lá limpou as lágrimas.

Na noite mágica de 14 de Agosto de 2014, quando o Tomás veio ao mundo, a irmã feliz não desarradou pé da porta do Hospital de Faro e eram 2h da manhã quando a deixaram subir à sala de recobro para conhecer o irmão. Hoje, ela com 7 anos e ele com 2, são os melhores amigos e não vivem um sem o outro. Foram as setas certeiras atiradas pelo amor da minha vida e são o melhor de mim!

 

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