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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

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Mãos de Barro

Na Lagoa, São Miguel, existe uma fábrica de cerâmica com mais de 150 anos de existência. Esta arte existe desde a era do neolítico, idade da pedra polida, e as peças mais antigas que foram encontradas por arqueólogos remontam a 24,500 a.C. Recentemente, quando procurava um presente para oferecer numas bodas de ouro, ocorreu-me visitar a Cerâmica Vieira. Trata-se de um ex-libris do concelho e de toda a ilha, recebendo todos os dias turistas que podem assistir ao nascer de verdadeiras obras de arte. Fundada em 1862, esta fábrica tem-se mantido na mesma família há cinco gerações.

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Situa-se numa das ruas principais da freguesia de Nossa Senhora do Rosário (Rua das Alminhas), e tem o estatuto de Museu. Este é constituído por uma colecção de faiança produzida nas antigas indústrias da Vila da Lagoa. O atual proprietário, José Augusto Martins Vieira & Filhos, proporciona a possibilidade de visitar a fábrica em laboração, podendo adquirir peças fabricadas no local.

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Os visitantes podem acompanhar o processo de confeção de louça e azulejos. Nas instalações da fábrica são produzidas peças de louça predominantemente feitas na roda de oleiro e azulejos pintados manualmente, utilizando decorações caraterísticas onde o azul é a cor dominante.

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O processo de fabrico artesanal é mantido desde os primórdios da fábrica e a decoração e os desenhos são deixados ao critério artístico dos artesãos. Dentro das instalações há uma loja onde podem ser adquiridos os produtos denominados de «Louça da Lagoa».

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A cerâmica Vieira estabeleceu-se nos seus primórdios na tranquila baía do Porto dos Carneiros, onde as embarcações vinham descarregar as bolas de barros da ilha de Santa Maria. Estas eram de um material acizentado, que posteriormente era misturado com areia e barro do continente para o fabrico de louça. O sucesso da Cerâmica Vieira ficou desde logo consolidado.

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Em 1888, esta indústria foi premiada com a medalha de cobre na Exposição Industrial Portuguesa de Lisboa. O modo de fabrico da louça manteve-se praticamente inalterável desde o tempo dos primeiros colonos de São Miguel. Tudo era feito à mão com o barro trazido de Santa Maria, posteriormente amolecido com água, e amassado com os pés no barreiro, onde as impurezas eram filtradas com um peneiro, pasando por outros tanques, onde era ainda mais apurado através da técnica de baldeação.

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A fase seguinte era juntar as aparas que restavam das rodas dos oleiros e passar para a fase da secagem, na qual o barro era atirado às paredes de tijolo do pátio, de modo a que fosse excluída do material quase toda a água. O barro passava então para o laminador, cilindro de ferro com palhetas movida por um eixo de ferro vertical, onde ia sendo aperfeiçoada a sua textura, até ser conseguida uma massa moldável e homogénea.

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Quando o barro estava finalmente pronto era levado em forma de bolas pelos aprendizes, em quantidades certas para o tipo de louça que iria ser confecionada. Essas bolas eram colocadas sobre as «alpiocas», massa de barro que servia de torno aos oleiros. Estes, por sua vez, faziam girar o pá da sua roda e aí começava o processo criativo. Da roda saíam as peças ainda não completamente moldadas. Era necessário que passassem depois pelo «fretamento», um aperfeiçoamento com auxílio de uma faca de vários gumes, feita de aros de pipa.

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Havia, então, que fazer a secagem das peças ao sol e levá-las depois ao forno. A cozedura da louça levava cerca de oito dias, em fornos antigos a lenha. Quando a louça estava cozida, era necessário vidrá-la com um líquido acizentado e pastoso. Depois, era preciso secar. Novamente de regresso às mãos criativas dos artesãos, a louça era pintada manualmente nos «tornitos», discos de rotação onde era preparada para se tornar numa bela peça de decoração. O mais extraordinário em todo este processo é o facto de se manter inalterado após tantos séculos.

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Apesar da modernização da maquinaria com a qual se trabalha a louça, o que torna o processo mais rápico, continuam a ser os artesãos quem determina a qualidade do trabalho. A fábrica de Cerâmica Vieira que hoje se conhece é o resultado da fusão entre a primeira, fundada no Porto dos Carneiros, e a segunda, nas Alminhas.

Cabe ao artista João Alberto Simões Rego, há mais de 30 anos, a pintura dos grandes murais, das paisagens, dos retratos e da estatuária.

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Além da louça, esta fábrica produz ainda azulejos moldados e pintados à mão. A telha e os tijolos são fabricados no Porto dos Carneiros, enquanto a louça vidrada é feita nas Alminhas. O atual proprietário, António José da Silva Martins Vieira, natural da Lagoa, pertence à quinta geração de descendentes do fundador da fábrica, um dos mais interessantes pontos de atração dos Açores.

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Telefone: 296 912 116    Horários Inverno: Dias úteis: das 8h às 12h e das 13h às 17h. Sábado: das 9h às 12h45. Verão: Dias úteis: das 9h às 12h e das 13h às 18h Sábados: das 9h às 12h45.

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Nos seus primórdios a fábrica teve como proprietário João Leite de Bettencourt que foi também autarca da Lagoa. Quem quiser conhecer um pouco mais da sua história, encontra-se patente, na Casa da Cultura Carlos César, a exposição «Homenagem do Centenário do Nascimento de João Leite de Bettencourt» até 10 de Novembro, onde está retratada a sua vida como homem, autarca, químico e industrial. Nela estão expostas algumas peças da Cerâmica Leite.

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