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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

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Halloween vs Pão-por-Deus

Ontem foi noite de Halloween, uma tradição americana que ficou muito enraizada nos Açores devido aos muitos emigrantes que lá vivem. As crianças percorrem as ruas, normalmente fantasiadas dos mais variados temas, à procura de doçuras e fazendo algumas travessuras. Bruxinhas, vampiros, diabinhos, fantasmas e outras criaturas do além andam à solta nessa noite.

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Mas, existe outro costume que fiquei a conhecer quando vim viver para são Miguel, o chamado «Pão-por-deus». Por época dos Santos, as crianças, sobretudo das famílias mais humildes, percorrem as moradias da freguesia porta-a-porta para recolher as ofertas que variam dependendo das possibilidades de cada família visitada.

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Antigamente, na maioria dos casos, as pessoas davam maçarocas de milho, um cereal que numa altura em que as famílias eram muito numerosas, com 3, 4 e 5 filhos, tinha grande importância. A sua farinha era utilizada para confeccionar o pão de milho, que acompanhava um bom prato de sopa à base de feijão, couves, batata e inhame. As guloseimas eram poucas e uma peça de fruta ou uma fatia de bolo ou uma bolacha, por exemplo, já era motivo de alegria.

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Quando lhes abriam a porta, as crianças cantavam: 

«Vim bater à vossa porta, vim pedir o alimento, dai senhor uma esmola, pela alminha de quem lá tem.

Pão por Deus, pelo amor de Deus, ponha aqui na saquinha, seja tudo pelo amor de Deus.»

 

Esta tradição do Pão-por-Deus também existe em Portugal Continental, em que na manhã do dia de Todos-os-Santos, 1 de Novembro, as crianças saem em pequenos grupos e vão pedir e voltam com os sacos de panos ceios de doces, castanhas, pão, bolos e por vezes dinheiro. 

 

Hoje em dia, as crianças vêm para casa com um saco cheio de rebuçados, chocolates, chupa-chupas e outros doces que nem chegam ao Natal. A maior parte nem consegue imaginar como no tempo dos seus avós era difícil esses luxos.

 

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Em nossa casa, os preparativos do Dia das Bruxas começam cedo, com a Alice a enfeitar o seu quarto com desenhos de fantasmas, aranhas e morcegos feitos por ela própria. Depois, cabe ao pai a tarefa de preparar as abóboras com olhos e bocas assustadoras (desenhados aqui pela mãe). Abóboras trazidas da terra do avô e cultivadas com todo o carinho. Nesta altura, provam-se as queijadas, pasteís, bolos e doces de abóbora feitos por familiares e amigos. Já se começam também a pôr as primeiras castanhas no forno.

 

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Este ano os meus filhos foram mascarados de gatos pretos (mas estes só trazem sorte!). O avô acompanhou-os na tarefa de correr as portas dos vizinhos mais próximos. E não são os rebuçados e chocolates que fiquem na memória dos meus filhos, são sim estes momentos únicos passados com os avós.

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