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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

Futebol de salto alto

Para quem não sabe, sou casada com um jogador de futebol profissional. Não é que tenha programado isso, e não deixo de ter orgulho na sua profissão, mas esta «vida de cigano» já me trouxe sabores e dissabores. O C. entrou na minha vida numa fase negra e foi como um anjo caído do céu que me veio trazer de volta o meu sorriso. Veio dar alegria aos meus dias com a sua boa disposição que todos os que o conhecem estão habituados e foi a lufada de ar fresco que eu precisava. Mas, não estou aqui para vos contar a minha história de amor.

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Vou falar-vos de como a vida de uma mulher de «jogador da bola» não é um mar de rosas. Temos de abdicar de muita coisa e somos facilmente rotuladas de «Marias Chuteiras». No meu caso, deixei para trás um emprego de jornalista no Algarve, porque não acredito no amor à distância, e até hoje não me arrependo de nada do que fiz. Está certo que abdiquei de uma carreira que tanto trabalho me deu a conquistar e com o peso na consciência de todo o esforço que os meus pais fizeram para que tivesse uma licenciatura, tantas pestanas que queimei a estudar naquele ISCSP em Lisboa, mas sei que ficou só em stand by e um dia todo o esforço será recompensado.

A experiência de andar «atrás dele com a casa às costas» por vários sítios do país só me trouxe coisas boas, vivências novas que jamais teria passado caso tivesse ficado na minha terra, muitos e muitos amigos que fiz e que ficaram para a vida e os cantos e recantos de Portugal que conheci (já parei para pensar que que já passei por todas as auto-estradas do nosso país e de repente apercebi-me que tudo fica perto quando fazemos uma viagem de Chaves ao Algarve em cinco horas de carro ou uma viagem do Porto a Faro em 40 minutos de avião). 

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 Por outro lado, troquei o jornalismo por um trabalho a tempo inteiro com funções como dona-de-casa, mãe, psicóloga, nutricionista, organizadora de eventos, relações públicas , etc. Tudo gerido com muito cuidado porque a vida de jogador tem muitas regras e protocolos. Para desmistificar a vida fácil de mulher de futebolista deixo-vos só aqui alguns exemplos que sofri na pele. Em primeiro lugar, quando assistimos pela primeira vez a um jogo em que o teu marido está em campotudo fica mais tenso. Uma coisa é ir ver um jogo do «meu» Sporting em que estamos só ali a torcer para que ganhe, não interessando quem lá joga. Outra coisa é estares entre os adeptos e teres que ouvir comentários ofensivos sobre a pessoa que amas. Mas, graças a Deus, sou uma pessoa calma e ponderada e desde logo optei por uma postura de «entra por um ouvido e sai por outro», porque afinal de contas o verdadeiro adepto só quer que a equipa ganhe e só faz o seu papel. Felizmente também já ouvi muitos elogios e se um jogador passa facilmente de «bestial a besta», já assisti a verdadeiras declarações de reconhecimento e agradecimento ao meu marido.

Outros aspectos negativos desta vida tem a ver com o não conseguir planear nada. A nossa agenda passa a ser o calendário das competições e o nosso ano passa a ser conforme a «época desportiva». E claro sempre que planeamos alguma coisa importante, tudo dá para o torto. Até a data do meu casamento teve que ser reformulada quando a meio da época o C. decidiu mudar de clube. Quando toda a cerimónia e quinta estavam marcadas para o dia 7 de Junho, de repente tudo teve que ser alterado para 28 de Junho. Para não falar na festa de 1º aniversário da Alice que não contou com a presença do pai e foi passada só entre esposas de jogadores e os seus filhotes.

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Um momento difícil que jamais vou esquecer também foi no nascimento da minha filha, que aconteceu no Algarve, o C. estava nessa altura a jogar no Grupo Desportivo de Chaves, treinado pelo mister Leonardo Jardim, e teve de atravessar o país depois de um jogo de final de época sem os médicos darem notícias de como tinha nascido a filha (uma cesariana que ia correndo mal e em que a bebé já estava em sofrimento e teve que ser reanimada). Felizmente tudo correu bem e nessa mesma noite o pai conheceu a menina dos seus olhos. Pior foi quando no dia seguinte, ainda a Alice na incubadora e eu sem puder me levantar para ir vê-la (apenas o pai podia estar ao pé dela), o C. teve regressar a Chaves para treinar, porque o seu trabalho assim o exigia, com o coração apertado e lágrimas nos olhos. Sim porque jogador de futebol não tem direito a licença de paternidade, a feriados, a natais em família ou passagens de ano com os amigos. Já para não falar que quando morre algum familiar ou amigo nem todos os treinadores terem a sensibilidade para dispensar o jogador a ir ao funeral ou ficar perto daqueles que amam. Outra questão é quando o teu coração fica acelerado quando o teu marido cai inanimado a meio de um jogo de futebol. Mas essas histórias vou deixar para outro post...

Enfim, mas são coisas que fazem parte da vida e apesar de todos os aspectos negativos, agradeço todos os dias pelo marido e filhos que tenho e posso dizer que sou feliz :)!

 

 

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