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O Meu País das Maravilhas

Partilhas de uma mãe que adora escrever e mostrar o lado bom da vida!

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Carta ao Pai Natal

Por esta altura, crianças por todo o mundo começam a sonhar com os brinquedos que gostariam de receber este Natal. A minha filha ainda acredita no Pai Natal, mas cada ano que passa vai ficando mais desconfiada da sua existência. O ano passado já olhou atentamente para o velhinho que veio trazer os presentes e achou que a sua barba estava um bocadinho «esquisita». Este ano, como já sabe escrever a carta foi toda feita por ela. O mais pequeno agora é que começa a vibrar com o amigo das barbas branquinhas.

 

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Mas será prejudicial que as crianças acreditem no Pai Natal?

De acordo com vários estudos que li, os psicólogos defendem que esta é uma «boa mentira». Acreditar no Pai Natal é inofensivo e pode ser benéfico para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Os contos de fadas e as histórias mágicas podem incentivar o desenvolvimento de um pensamento criativo, promover a consciência social e até a capacidade de compreensão científica.

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Independentemente do nível de inteligência, estudos recentes revelam que as crianças que se encontram mais envolvidas em jogos de fantasia e imaginação são mais capazes de distinguir a aparência da realidade, de entender as expectativas dos outros, de perceber que as percepções de cada um dependem do contexto, de compreender melhor as emoções e, também, de desenvolver uma maior capacidade de criar cenários hipotéticos, que reforçam o raciocínio: e se as renas ficarem doentes, como é que o Pai Natal entrega as prendas? E se os duendes não terminarem de organizar as prendas, como será o Natal? Tudo isto se reflecte, na vida adulta, numa maior capacidade para pensar soluções, para criar ideias e para prever possíveis acontecimentos.

Deste modo, percebemos que permitir que crianças acreditem que existe um senhor de barba branca que se passeia pelos céus, sentado num trenó puxado a renas, com um saco cheio de prendas, poderá ter, no futuro, impacto no modo como se percepciona o mundo e como colocamos ao serviço do quotidiano o nosso lado mais criativo e imaginativo.

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Contudo, com o tempo, manter a lenda do Pai Natal viva vai-se tornando cada vez mais difícil para os pais. Na verdade, o que importa é que as crianças percebam o valor da gratidão. O consumismo desenfreado, por esta altura, torna complicada a tarefa de fazer acreditar aos nossos que há milhões de crianças no mundo que não têm brinquedos.

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Hoje, 20 de Novembro, é o Dia Internacional dos Direitos das Crianças, o Dia Universal da Infância. É uma data que nos faz recordar que uma criança não é somente um ser frágil, que necessita de proteção, mas também uma pessoa que tem o direito à educação, cuidados e carinho, onde quer que tenha nascido.

A criança é uma pessoa que tem o direito de divertir-se, de aprender e a expressar-se. Todas as crianças tem o direito de ir à escola, de receber cuidados médicos e se alimentar para garantir seu desenvolvimento em todos os aspectos.

Infelizmente, hoje quando vi as notícias diziam que existem atualmente 250 milhões de crianças a viver em países de guerra e 50 milhões que são obrigadas a abandonar as suas casas. A UNICEF alertou que 6 milhões de crianças morre de causas que podiam ser evitadas e 380 milhões vivem em pobreza extrema.

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E estes são os números que me fazem pensar, principalmente nesta altura natalícia, o quão insignificante são as listas infindáveis de pedidos que o Pai Natal recebe. Tento transmitir esta ideia aos meus filhos. A Alice já é mais crescida e muitas vezes á noite antes de dormir agradece pela sorte que tem em ter uma família, uma casa, comida e brinquedos, que muitas crianças não têm neste mundo.

Claro que o que nós gostamos é de ver os nossos filhos felizes e aquela alegria que vemos nas suas carinhas quando recebem o tão desejado presente na noite de Natal não tem preço. Tento, no entanto, incutir o sentido da solidariedade e compaixão e tenho esperança que os meus filhos sejam daqui a uns anos adultos generosos e altruistas.

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